Por Ellen Lima - 8º período
A sociedade brasileira vive um processo acelerado de envelhecimento e parece ter ficado claro para a comunidade em geral e para as autoridades as causas e as conseqüências desse processo.
Esse envelhecimento diz respeito diretamente à própria afirmação dos direitos humanos fundamentais. Lembre-se que a velhice significa o próprio direito que cada ser humano tem de viver muito, mas, certamente, viver com dignidade.
Se viver muito com dignidade é um direito de todo ser humano, já que significa a própria garantia do direito à vida, o Estado precisa desenvolver e disponibilizar às pessoas mais velhas toda uma rede de serviços capaz de assegurar os seus direitos básicos, como, por exemplo, saúde, transporte, lazer, ausência de violência tanto no espaço familiar como no espaço público.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) teme que o aumento do número de idosos no mundo agrave as situações de violência relacionadas principalmente com a ruptura de laços tradicionais entre gerações e com o enfraquecimento dos sistemas de proteção social.Segundo a OMS, apenas 30% dos idosos do mundo inteiro estão atualmente a receber pensões de reforma ou subsídios de velhice e invalidez, o que torna muito precárias as suas condições de existência e os expõe a riscos acrescidos de violência; uma violência que tanto pode ser exercida em ambiente familiar como institucional ou social.
A violência na família pode ter diversas causas e assumir um caráter mais ou menos explícito. Nas instituições a violência torna-se, muitas vezes, mais aparente devido ao maior distanciamento afetivo, à impessoalidade dos cuidados e a um regime disciplinar demasiado apertado e rígido.De uma forma geral a sociedade tolera - e, por isso, torna-se cúmplice - do abandono, da falta de respeito e da degradação da condição social dos idosos, contribuindo assim para a difusão de uma cultura de violência contra aqueles que não se integram nos novos padrões sociais de beleza, dinheiro e consumo.
A marginalização dos idosos e a violência simbólica que contra eles é exercida operam através de processos complexos e nem sempre visíveis.
Em geral nós vemos o idoso como uma pessoa diminuída nas suas capacidades de reação e adaptação ao meio e às agressões da vida, que são muitas.
O processo natural do envelhecimento também favorece a marginalização, mas é importante reconhecer que não foi sempre assim. Antes os idosos eram vistos como fonte de sabedoria e hoje, como fardo emocional.
Precisamos dar maior atenção às condições e aos contextos em que se gere violência contra os idosos e assumir sua defesa, pensando sempre na vida que um dia teremos e nas condições que encontraremos.

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