quarta-feira, 11 de julho de 2007

"Atira que é polícia!!!" PM do Rio se transforma em presa valiosa de criminosos

Por Renata Onaindia - 8º período
Um fato recente atingiu em cheio a Polícia Militar do Rio. O assassinato de 12 membros da corporação em apenas oito dias fez dispararem as estatísticas sobre mortes de policiais e provocou uma dúvida na população: Será que os bandidos estão caçando a polícia do Rio?
Em menos de três meses foram 33 mortes. A maioria delas na Zona Norte da cidade. Só o batalhão de Rocha Miranda (9º BPM) perdeu quatro integrantes na última semana.
O fato é que a farda e o distintivo têm sido a sentença de morte de grande parte dos PMs mortos nos últimos dias. Foi o caso do terceiro-sargento Hélio Ricardo Porto Valentino, de 45 anos, assassinado durante uma tentativa de roubo de carro na Pavuna. Depois que os ladrões viram o uniforme do militar no banco do trás do veículo que dirigia, um deles disse "Atira que é polícia!".
Convertida em norma pelos criminosos, a frase provocou estratégias de defesa por parte da corporação sobretudo, quando o policial estiver de folga. Já foram sete mortos desta maneira desde o início do ano, em circunstâncias semelhantes à do sargento Hélio.
A morte da décima-segunda vítima fez acender o alarme entre a cúpula da Polícia Militar. Na manhã da última sexta-feira, uma reunião a portas fechadas no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cefap), em Realengo, com comandantes de todos os batalhões da área metropolitana passou o dia discutindo o problema.
As estratégias para escapar da alça de mira dos criminosos já foram traçadas, embora o comando da PM negue que haja uma ação orientada pelos traficantes para promover os ataques à polícia.
- Nosso serviço de inteligência não detectou uma alusão a ataques contra PMs - disse o comandante geral da corporação Ubiratan Angelo, logo após a reunião, referindo-se à denúncia de que criminosos da facção criminosa Comando Vermelho estariam arquitetando a morte de 150 policiais militares nos próximos dias em diferentes cantos da cidade.
Entre as metas para combater a vulnerabilidade dos policiais estão: definição de horários mais precisos para a realização das operações policiais; maior controle e redimensionamento de supervisão das patrulhas e dos equipamentos; reforço na orientação da tropa e atenção especial aos policiais de folga.
Nas próximas semanas, um grupo de estudos formado por oficiais irá avaliar as situações em que cada um dos PMs mortos em folga foram assassinados.
O comandante lembrou que em 2005, um seminário realizado pelo coronel Hudson Aguiar ajudou a reduzir pela metade o número de policiais mortos em serviço. O seminário, entretanto não abordou a questão dos PMs fora de serviço.
- Ainda não há como controlar as atividades do policial quando está fora do horário de trabalho - disse Ubiratan.
Os homicídios também motivaram a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia Legislativa do Rio, que pretende investigar as causas das mortes e ajudar as famílias dos policiais falecidos.
A comissão irá ouvir autoridades ligadas à segurança pública no estado e vai investigar as condições de trabalho dos policiais, além da assistência prestada à família das vítimas em combate.
Presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara e um dos integrantes da CPI, o deputado estadual Wagner Montes (PDT-RJ) acredita que os ataques a policiais são uma forma dos bandidos tentarem desmoralizar o poder público e as autoridades.
- A polícia está sufocando o tráfico e obrigando a bandidagem a descer para o asfalto. Os ataques a PMs são uma resposta, um afronta não apenas à polícia, mas ao estado, para tentar desmoralizar a instituição que os têm combatido - disse o parlamentar.
Wagner informou que a comissão investigará ainda porque o estado vem atrasando o pagamento do pecúlio e do seguro de vida às famílias dos policiais mortos. De acordo com o deputado, muitas famílias têm tido de recorrer à ajuda de colegas de farda do parente falecido para continuar vivendo.
Para o parlamentar é preciso que haja união de todas as esferas da polícia para que os assassinos de policiais sejam os verdadeiramente caçados.
- O bandido tem que saber que se cometer um crime contra um policial toda a polícia, militar, civil, federal vai ir atrás dele - diz Wagner.
O presidente do Clube dos Cabos e Soldados da PM, Jorge Lobão, já estava atento para o problema das mortes de policiais antes que elas tomassem as páginas dos jornais com tanta freqüência. Há um ano, Lobão promoveu uma campanha doando R$ 1 mil para quem oferecesse informações que levassem a prisão de assassinos de PMs. Este ano, preocupado com o aumento do número de mortes, o órgão dobrou o valor da recompensa e colocou cartazes em 40 ônibus que trafegam pela região metropolitana do Rio.
- É preciso que se faça algo para impedir que as investigações desses casos fiquem esquecidas, emperradas pela morosidade das autoridades. Através da recompensa, as pessoas se envolvem e ajudam - explica Lobão.
De acordo com informações do CCSPM, em 2005 três casos foram solucionados por meio de informações conseguidas durante a campanha.
Depois da colocação dos cartazes nos ônibus, o número de ligações para o telefone de Lobão aumentou. O presidente recebeu 28 chamadas entre as quais seis apresentaram denúncias com informações consideradas consistentes para contribuir com as investigações sobre alguns dos inquéritos. Sete delas estavam relacionadas a outros crimes e foram encaminhadas para o disque denúncia e três testemunhas se ofereceram para colaborarem com pistas.

CABINES POLICIAIS, UM ALVO FÁCIL
Construídas supostamente para aumentar a segurança do cidadão em pontos estratégicos da cidade, as cabines policiais acabaram ironicamente servindo de alvo fácil para os ataques dos marginais à polícia.
- Sempre defendi que os policiais não devem ser obrigados a ficar dentro das cabines, pois elas não garantem a segurança dos PMs, além de serem desconfortáveis. Submeter os policiais a um calor de 40º em um cubículo fechado e sem blindagem é condená-los ao suicídio. Uma cabine com ar condicionado e à prova de balas é o mínimo que se pode oferecer para que possam ter condições de reagir - conclui o deputado Wagner Montes.

ESTATÍSTICAS
A maior incidência de mortes ocorre nos dias de folga.
Ano passado, o número de policiais assassinados foi de 144.
Em 2005, o número foi de 157, apenas 20 foram mortos em serviço. A maioria das mortes foi durante a folga e por ter sido reconhecidos como PMs
Os bairros onde acontecem a maior parte de crimes contra PMs são Zona Norte e Zona Oeste. As maiores baixas estão no 9º BPM (Rocha Miranda), 14º (Bangu), 18º (Jacarepaguá) e 22º (Maré).

Um comentário:

Tadeos disse...

PREZADA RENATA, PRECISO QUE ENTRE EM CONTATO. URGENTE!!!